Combinando ação, emoção e humor na medida certa, “Quarteto Fantástico – Primeiros Passos” mostra que ainda há fôlego — e magia — no MCU
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Quarteto Fantástico aposta alto pra revigorar a Marvel nos cinemas
Quarteto Fantástico estreou e, para alívio dos fãs, é um ótimo filme. Após Vingadores: Ultimato, a Marvel passou a alternar entre produções experimentais e pouco criativas. Salvo algumas exceções, o universo parecia desorientado — o que aumentava o temor em torno desse novo capítulo.
O filme carregava três fardos pesados: primeiro, o histórico decepcionante das versões anteriores do Quarteto Fantástico, que falharam em criar empatia fora dos quadrinhos. Segundo, a responsabilidade da Marvel em fazer justiça à sua primeira super equipe da era Stan Lee, um verdadeiro pilar do universo original. E por fim, a importância do grupo para o futuro do MCU, já que o grande arco das próximas fases deve envolver seu arqui-inimigo, o Doutor Destino. A expectativa era do tamanho de Galactus — e, surpreendentemente, a Marvel não desapontou.
Com pouco menos de duas horas de duração, Quarteto Fantástico é um dos melhores filmes recentes do estúdio.

O tempo é curto, mas bem aproveitado. Sem se prender à origem da equipe — que já foi exaustivamente mostrada — o filme mergulha de imediato na ação, com um ritmo que lembra as histórias em quadrinhos. Em pouco tempo, acompanhamos os “primeiros passos” do grupo e o confronto com vilões clássicos. O roteiro também capricha nos easter eggs, incluindo uma homenagem sensível aos criadores do Quarteto Fantástico.
Uma das minhas maiores preocupações era com os personagens, especialmente Reed Richards — um dos meus heróis favoritos e, ao mesmo tempo, um dos mais difíceis de adaptar sem parecer enfadonho. Pedro Pascal me causava dúvidas, por seu estilo mais sisudo. Mas sua atuação me surpreendeu. Ele entrega um Reed sério, sim, mas também capaz de rir de si mesmo e refletir sobre suas limitações.
Joseph Quinn está ótimo como Johnny Storm. Consegue equilibrar arrogância e fragilidade de forma convincente, tornando o personagem imediatamente cativante. Vanessa Kirby é o coração do filme como Sue Storm: entrega emoção sem exageros e sustenta o drama familiar que dá alma à equipe. Mas o grande destaque, para mim, é Ebon Moss-Bachrach como Ben Grimm. Apesar do uso de CGI, há ali uma presença física e emocional que faz o personagem finalmente parecer real em live-action.
Nada disso funcionaria se faltasse química entre os quatro — mas esse é outro acerto da direção. A dinâmica entre eles é natural, divertida, carismática. O roteiro prioriza essa interação, mesmo que para isso sacrifique um pouco das cenas de ação.
O que senti falta — e aqui falo como fã — foi de mais cenas mostrando o Quarteto Fantástico lutando como um time. Nos quadrinhos, suas estratégias combinadas são uma das marcas registradas, como quando Ben usa Reed como estilingue enquanto Sue o mantém invisível até o último segundo. No filme, a maioria das batalhas é individualizada, como se os personagens ainda estivessem aprendendo a trabalhar juntos. Não compromete a trama, mas reduz o impacto emocional das lutas.
A história, com tons de “Missão Impossível”, é divertida e angustiante. E isso é ótimo. O filme transmite uma sensação de perigo real — e, talvez pela ausência de outros heróis no mundo deles, o peso recai inteiramente sobre o Quarteto Fantástico. As soluções adotadas não recorrem a saídas fáceis.
Claro, teria sido interessante ver Reed encontrando o Nulificador Total na nave de Galactus e o ameaçando com ele, como nos quadrinhos. Mas isso teria sido uma saída fácil demais. Sem esse recurso, o filme constrói um desespero genuíno enquanto o fim se aproxima.
🌌 Galactus e a nova Surfista
A estreia de Galactus no cinema, interpretado por Ralph Ineson, é poderosa. A escala do personagem e sua frieza implacável lembram Thanos, mas sua presença visual impõe um tipo diferente de terror — quase cósmico, existencial. O novo Surfista Prateado também convence, e a mudança de gênero da personagem é justificada dentro da trama.
Matt Shakman, o diretor, mais uma vez mostra seu talento. Depois de WandaVision, ele prova que sabe equilibrar drama e estética vintage com ação de super-herói. A ambientação na Nova York estilizada dos anos 1960 é um show à parte: divertida, nostálgica e cheia de detalhes dignos de pausa e zoom quando o filme sair em mídia digital.
O visual combina alta tecnologia com design retrô, criando um humor elegante, quase britânico. Há cenas que parecem saídas diretamente dos quadrinhos de Jack Kirby — um presente para os fãs.
✨ Uma nova fundação para o MCU?
Apesar de estar ligado ao MCU, o filme parece existir em um universo à parte. Desde a abertura (sem o tradicional logo da Marvel), já se percebe uma ruptura. Parece um MCU de outra dimensão — um onde o Quarteto Fantástico é o começo de tudo, assim como Homem de Ferro foi em 2008.
Essa sensação de recomeço é revigorante. Com X-Men ainda por vir, e tantas possibilidades narrativas abertas, o filme reacende a empolgação de quem achava que a Marvel já tinha dito tudo que podia. Sair do cinema com essa sensação foi como voltar no tempo — para aquele momento em que os fãs esperavam ansiosos pela formação dos Vingadores.
O Quarteto Fantástico não apenas voltou — eles reacenderam a centelha de onde todo o Universo Marvel nasceu. E talvez seja exatamente isso que o MCU precisava para renascer.
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