O homem das cavernas usava cueca? Você sabe quando os homens começaram a usar esta peça de vestuário? A resposta vai te surpreender
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Cuecas ontem, cuecas hoje, cuecas pra sempre …
A gente veste todo dia, escolhe entre modelos mais justos ou mais largos, de algodão ou microfibra, com ou sem elástico, às vezes até nem dá muita bola… Mas já parou pra pensar quando a cueca entrou na vida dos homens? Será que ela sempre existiu desse jeitinho que conhecemos hoje? Ou será que os antigos já tinham suas próprias versões — mesmo sem chamar de “cueca”?
Pois é. A verdade é que a história da cueca é bem mais longa e curiosa do que parece. E ela passa por civilizações antigas, reis, gladiadores, soldados e até artistas renascentistas. Vamos dar uma olhada nesse caminho surpreendente!
Das cavernas ao linho egípcio: as origens da “cueca”
Lá na pré-história, quando os seres humanos começaram a usar roupas, cobrir as partes íntimas era mais uma questão de proteção do que de pudor. Afinal, imagine viver exposto ao sol, ao frio ou aos espinhos da mata — tudo isso sem nada cobrindo uma área tão sensível! Os homens daquela época usavam tiras de couro ou fibras naturais para fazer tangas simples. Algo parecido com uma fralda de pano amarrada com cordões. Simples, mas funcional.
A coisa começou a ficar mais refinada no Antigo Egito. Os egípcios usavam um tipo de peça chamada schenti — uma espécie de pano de linho enrolado em volta da cintura, que descia até as coxas. Alguns faraós e nobres usavam schentis decorados, e acredita-se que até por baixo das roupas mais formais, havia uma versão mais simples dessa “tanga de linho”.
E como sabemos disso? Por causa da arte! Pinturas em tumbas, esculturas e papiros mostram os trabalhadores egípcios com essas peças amarradas ao corpo. Então sim — existe iconografia antiga mostrando algo parecido com a cueca. Só não tinha esse nome, claro.

Romanos, guerreiros e calções medievais
Na Roma Antiga, a história continua. Os romanos usavam o subligaculum, um tipo de tanga ou shortinho feito de tecido ou couro. Gladiadores, soldados e até atores de teatro usavam essa peça.

Estátuas, mosaicos e baixoreliefs mostram gladiadores com o subligaculum, muitas vezes acompanhado por um cinto (balteus). Em manuscritos medievais, ilustrações de camponeses, cavaleiros e trabalhadores retratam claramente esses calções íntimos — como nos Psalters de Luttrell e Rutland.

Já na Idade Média, as coisas mudaram. Os homens passaram a usar as braies — uma espécie de calção largo feito de linho ou algodão, amarrado na cintura. Era meio folgado, quase como uma bermuda, e era usado por baixo de túnicas e roupas mais pesadas. Dependendo da época e do status social, esses calções podiam ir até o joelho ou até os tornozelos.
Manuscritos medievais, como a Maciejowski Bible (~1250) e os Tacuinum Sanitatis, mostram homens com braies — calções amplos de linho, usados como roupa íntima. Esses braies evoluíram ao longo dos séculos, de modelos largos até versões mais curtas, parecendo cuecas boxers — especialmente no final do século XIV.

Você consegue imaginar os cavaleiros medievais, vestidos com armaduras por cima de… uma cueca de linho? Pois é. Não dá pra esquecer que, antes de todo aquele ferro e couro, o corpo precisava de uma camada mais macia.
Renascença e vaidade masculina
Chegando na época do Renascimento, o que era íntimo começou a ganhar destaque — literalmente. Surgiu então uma peça chamada códpiece. Era uma bolsa protuberante usada sobre as calças, justamente para destacar a região genital. E sim, era usado com orgulho, quase como símbolo de virilidade e poder masculino. Figuras importantes como Henrique VIII da Inglaterra aparecem em retratos com verdadeiras “armaduras íntimas” bordadas e acolchoadas.
Mas o que usavam por baixo disso tudo? Em geral, continuava-se com calções de linho, parecidos com os braies medievais. A ideia da cueca ainda não existia como peça independente e modelada, mas as bases estavam se formando.
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Século XIX: conforto, higiene e novas ideias
Durante os séculos XVIII e XIX, os calções por baixo da roupa passaram a ser mais ajustados e mais curtos, acompanhando as mudanças da moda. A preocupação com a higiene pessoal aumentou (ainda que timidamente), e começou-se a valorizar roupas íntimas mais fáceis de lavar e trocar.
Nessa época, surgiram os chamados “drawers” — uma espécie de cueca longa ou ceroulas, que iam até o joelho ou mais. Eram feitas de algodão ou lã, e eram usadas principalmente no frio. Não eram nada sexies, mas eram práticas.
Curiosidade: no final do século XIX, algumas campanhas de saúde pública já incentivavam o uso de roupas íntimas limpas e trocadas com frequência, principalmente em ambientes urbanos. A cueca, aos poucos, se tornava uma questão de saúde.
1935: nasce a cueca moderna
A grande virada veio só no século XX. Em 1935, nos Estados Unidos, a empresa Cooper’s Inc. (que mais tarde se tornaria a famosa Jockey) lançou uma peça revolucionária: a cueca tipo “brief”, com abertura frontal, elástico na cintura e sem as pernas longas. Ela se inspirava nas sungas usadas por nadadores e prometia mais conforto, suporte e liberdade de movimento.
Foi um sucesso imediato. No primeiro dia, 600 cuecas foram vendidas. No primeiro ano? Mais de 30 mil. E aí, não teve mais volta.
A cueca passou a ser vista como uma peça essencial do vestuário masculino. Durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados americanos usavam cuecas padronizadas como parte do uniforme. E quando voltaram para casa, trouxeram o hábito — que se espalhou pelo mundo.
E no Brasil?
Por aqui, a cueca começou a se popularizar mesmo a partir dos anos 1950 e 60. Um dos modelos preferidos foi a famosa cueca samba-canção, mais larga, com botões e elástico solto, que parecia um short de pijama. Reza a lenda que o nome vem do fato de músicos de samba usarem esse tipo de peça nas rodas de ensaio, pela liberdade que ela dava nos movimentos.
Depois vieram as cuecas slip, mais justas, e as boxers, que fizeram sucesso nos anos 90 e continuam firmes até hoje. Com o tempo, a cueca também virou item de moda — com cores, estampas, tecidos tecnológicos, marcas de grife e até modelagens sensuais.
Claro! Aqui está um texto explicativo, em tom leve e informativo, sobre a origem do nome “cueca”:
De onde vem o nome “cueca”?
A palavra “cueca” é tão comum no nosso dia a dia que a gente nem se dá conta de que ela carrega uma história própria — e bastante curiosa, por sinal.
A origem da palavra “cueca” vem do espanhol “cueca”, que, por sua vez, deriva do latim vulgar colobrĕca ou colobium, que era uma espécie de túnica curta usada por baixo das roupas. Na verdade, a palavra latina colobium designava uma roupa sem mangas, comum no vestuário romano e cristão antigo. Com o tempo, o termo foi se transformando foneticamente e mudando de significado, até chegar ao que conhecemos hoje.
No português do Brasil, “cueca” passou a designar especificamente a roupa íntima masculina, enquanto em outros países de língua espanhola, a palavra tem usos diferentes. Um exemplo curioso: no Chile e na Bolívia, cueca é o nome de uma dança folclórica tradicional!
No Brasil, o uso do termo “cueca” com esse sentido atual se consolidou apenas no século XX, principalmente com a popularização da roupa íntima masculina moderna. Antes disso, usava-se mais comumente o termo “ceroula”, especialmente para aquelas calças compridas usadas por baixo da roupa, geralmente em tecidos grossos como lã ou algodão.
A transição da ceroula para a cueca curta, semelhante às que usamos hoje, acompanhou mudanças culturais, tecnológicas (como a invenção do elástico) e influências estrangeiras. E foi nesse contexto de modernização que a palavra “cueca” passou a ser usada de forma ampla, direta e… definitiva.
Curiosidades ao longo do caminho
- Na Roma Antiga, algumas estátuas mostram homens usando subligaculum de forma bastante detalhada, o que ajuda os historiadores a reconstituir essas peças.
- Mosaicos de Villa Romana del Casale (Sicília, ~300 d.C.) mostram mulheres atletas em trajes parecidos com biquínis antigos — tipo o subligaculum feminino.
- No século XIX, os homens usavam ceroulas até no verão — o que devia ser um suplício em países tropicais.
- A cueca já foi símbolo de status social, principalmente quando feita com tecidos mais caros e bordados.
- Em guerras, soldados carregavam cuecas extras como item de sobrevivência. Uma cueca limpa podia significar conforto e prevenção de infecções.
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